sexta-feira, 18 de junho de 2010

I Mostra de Arte Contemporânea Caiçara



Mostra em Santos, Litoral Paulista, promove a Arte Contemporânea Caiçara


Em uma época fadada à mesmice globalizada, onde o novo esconde-se atrás de fórmulas ultrapassadas e tendências massificadas, o que esperar do óbvio? Em um mundo onde as identidades se perdem em individualidades consumistas, efêmeras como um piscar de olhos, somente relendo o passado poderemos vislumbrar o novo. Com essa crença a Casa da Frontaria Azulejada, centro histórico de Santos, brinda-nos, em agosto próximo, com a “I Mostra de Arte Contemporânea Caiçara”.

Pesquisadores, artistas, agitadores culturais e jornalistas do litoral paulista movimentam-se em volta da cultura caiçara, provocando a reinvenção de sua identidade, transitando ora por suas raízes, ora por suas antenas. Suas obras e pesquisas expressam a relação do homem com o mar, a mistura do contemporâneo e do ancestral, assim como a mútua influência do local e do universal através do caráter cosmopolita do porto de Santos.

Participam dessa primeira edição o maestro Gilberto Mendes, principal compositor erudito de vanguarda do Brasil, criador do Festival Música Nova e responsável pela renovação da música erudita no mundo; o escritor e crítico literário Flávio Viegas Amoreira da Geração 00; o grupo experimental de música contemporânea caiçara Percutindo Mundos; os escritores Marcelo Ariel, José Geraldo Neres e Ademir Demarchi (editor da Revista Babel); os fotógrafos Adilson Félix, Biga Appes e Christina Amorim; a bailarina Célia Faustino, os jornalistas e escritores Alessandro Atanes e Márcia Costa da Revista Pausa e Artefato Cultural; os músicos Tarso Ramos, Rogério Barequet ( grupo Sidarta), Zéllus Machado e Trio Kaanoa; os artistas plásticos Fabrício Lopes, Valério da Luz e Maurício Adinolfi; os coletivos de arte Imaginário Coletivo e Estúdio Valongo; os atores da Trupe Olho da Rua e Teatro Canoa (Instituto Ocanoa); a artista Maíra de Souza da Escola Livre de Circo (Oficina Cultural Regional Pagu), Gaia´thos Cia de Circo, além de Natalia Moura e Mestre Sombra (Instituto CAE e Vozes da Senzala – Ponto de Cultura) e Jap Krichinak (Museu de Arte Popular de Diadema).


Segundo Márcio Barreto, curador da Mostra, “a intenção é fazer refletir através do encantamento da arte, dos novos olhares e fazeres, da expressão do contemporâneo através de nossa ancestralidade caiçara”.


A "I Mostra de Arte Contemporânea Caiçara é uma realização do Instituto Ocanoa - Projeto Canoa e conta com o apoio da Secretaria de Cultura de Santos, Secretaria de Cultura de São Vicente, Fundação Arquivo e Memória de Santos, Oficina Cultural Regional Pagu, Instituto CAE, Vozes da Senzala, Instituto de Pesca de Santos, Instituto Artefato Cultural e Camará - Ponto de Cultura, Revista Pausa.

I Mostra de Arte Contemporânea Caiçara
28/08 – Sábado – 14 hs.
Casa da Frontaria Azulejada
Rua do Comércio, 96 – Centro Histórico – Santos /SP

quarta-feira, 16 de junho de 2010

7° Sarau Caiçara - Museu da Pesca




A identidade caiçara e a criação de uma arte contemporânea que resgate suas raízes são temas que vem despertando a atenção do público e o empenho de artistas da região. Reunidos no Sarau Caiçara (Mapa Literário do Estado de São Paulo), artistas, pesquisadores e público debatem suas idéias e interagem com música, dança, literatura e teatro.

A 7° edição do Sarau Caiçara acontecerá junto a Semana do Pescador, organizada pelo Instituto da Pesca, Museu da Pesca e Secretaria de Cultura de Santos. Contará com a participação de Gilberto Mendes (música), Flávio Viegas Amoreira (literatura), Percutindo Mundos (música), Célia Faustino (dança), Mestre Sombra (capoeira - Instituto CAE – Vozes da Senzala), Alessandro Atanes (literatura, música), Márcia Costa (literatura), Zéllus Machado e Trio Kaanoa (música), Biga Appes (fotografia), Rogério Baraquet - Sidarta (música), Trupe Olho da Rua (teatro), Adilson Félix (fotografia), Ana Maria Caneo (literatura e música), Christina Amorim (fotografia) e Tarso Ramos (música).


Segundo Márcio Barreto, organizador do Sarau, “Participar com o Sarau Caiçara nas comemorações da Semana do Pescador é uma pequena homenagem que fazemos aos pescadores e sua história”.

O 7° Sarau Caiçara acontecerá no dia 26/06, Sábado, as 15 hs, no Museu da Pesca (Av. Bartolomeu de Gusmão, 192 – Ponta da Praia – Santos /SP)

terça-feira, 25 de maio de 2010

arte contemporânea caiçara



experimentando melodias percussivas, procurando o minimalismo exato da expressão, o tribalismo pulsante de velhos tambores, calimbas e paus de chuva, mudamos o mundo num movimento de sonho, rápido como o pensamento, pois enquanto o universo se expande e o mundo se comprime em escalas dissonantes, brindamos ao simples e ao inefável...

quarta-feira, 19 de maio de 2010



23/05 as 13:30 Casa da Frontaria Azulejada Rua do Comércio, 96 - Centro Histórico - Santos /SP

http://www.santos.sp.gov.br/virada2010/percutindo.html

terça-feira, 18 de maio de 2010



E assim
escondido no escuro de meus olhos abertos
absurdamente absorto em desenhos de desejos geométricos
em caleidoscópicos olhares de grãos de areia
...leio seus pensamentos...
e eles são como primeiras pessoas:

Se estivéssemos na chuva e ela automaticamente molhasse nosso corpo
Nu
no mundo despencariam gotas,
cachoeiras, cataratas, arranha-céus, elevadores, aviões, estrelas cadentes e verticalidades oblíquas por entre nossas indizíveis vontades

mas não! estamos vestidos e os índios de outrora se consomem em coca
calçam tênis importados e dirigem carros apertados
enquanto garotas maquiladas com suas mini-saias e saltos altos tiram fotos pelos lobbys dos hotéis
esquecidas de suas mentiras e vidas passadas

descoberto no claro absurdo de nossas mãos entrelaçadas
beijo-lhe

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Estúdio Valongo - Coletivo de Arte, abre sua portas à criatividade sábado agora as 15 hs. Com exposição coleitva de Fabíola Notari, Fabrício Lopez, Juliana Okuda, Márcia Santtos, Luise Weiss, Lídice Moura, Luciano Gonzaga, Edu Marin que vai até 03/07. Na inauguração apresentação especial de Percutindo Mundos e leitura performática de poema original de Flávio Viegas Amoreira.

terça-feira, 11 de maio de 2010


Há que se falar, primeiramente, que a “música contemporânea caiçara” é uma nova concepção musical, fruto não da fusão de diferentes estilos musicais pré-existentes, mas sim da ressignificação de identidades culturais e de suas referências no contexto atual.


Surgiu no litoral paulista, através da procura de nossas ancestralidades, do quinhão de nossos antepassados índios, europeus e africanos que perpetuaram seu conhecimento e sabedoria, geração após geração, através de uma gênese caiçara. Um elo, muitas vezes mudo, adormecido, sub-cutâneo, mas correndo em nossas veias e formando nossas células. Assim, sua matéria bruta é a intuição, o imaginário coletivo, o campo onde o ancestral encontra o contemporâneo e provoca novos olhares e reflexões.

Ressalta-se a harmonia dos timbres mais do que a harmonia das notas, expressando a música em livres associações e experimentações. Sua diversidade instrumental e a criação de novos instrumentos e de técnicas diferenciadas de uso, assim como a percussão corporal e vocal, possibilitam uma tessitura que remete ao imagético das florestas, vilas, dos centros cosmopolitas, e da relação do homem com o mar e o universo. Uma música que procura a gênese, o encontro de diferentes culturas e tempos e sua miscigenação no contemporâneo, no local e universal de cada um.

Seu minimalismo difere do convencional na medida em que não utiliza as longas repetições em série ou a estaticidade, mas faz da repetição uma possibilidade de mudança na medida em que transfere os sons para timbres diferentes, desconstruindo as células rítmicas e alterando cadências e andamentos em formas melódicas. Aproxima-se mais do minimalismo literário, onde a economia das palavras possibilita a contextualização e permite a livre significação. É uma música que sugere ambiências, que trabalha a sinestesia das imagens e dos timbres.

Encontra-se fortemente ligada à literatura, onde os textos literários são expressos através da música falada ou de melodias minimalistas carregadas de questionamentos filosóficos, valorizando a palavra em sua profundidade, densidade e simplicidade. A pergunta mais do que a resposta.

Outra característica é a organicidade. Compreendida como o elemento vivo da música, está estruturada na mistura da composição com o improviso (aleatoriedade limitada), e na “música livre”, processo onde o público é convidado a improvisar aleatoriamente com os músicos. Uma música que a cada execução se transforma. Uma música viva, pulsante, intrigante e instigadora, que sugere ao invés de ditar.