"Wisnikianas - visões antropofágicas na ilha de São Vicente" é uma homenagem ao músico, compositor e pesquisador vicentino José Miguel Wisnik. O texto é composto por fragmentos de sua obra interligados por reflexões sobre a identidade cultural brasileira e sua gênese. São recortados de seu universo o antropofagismo, o futebol, Machado de Assis, a imigração e a miscigenação. O processo de montagem se desenvolve a partir do conceito e dos desdobramentos da música-teatro de Gilberto Mendes, assim como os conceitos do que chamamos de "arte contemporânea caiçara", onde procuramos ressaltar o minimalismo, a aleatoriedade, o hibridismo e a relação entre o ancestral e o contemporâneo utilizando-se a literatura, a dança, o vídeo, o teatro e a música.
Primeiro Movimento
Sons de vento. Folhas secas jogados no chão. Projeção de vídeo da fachada de um velho hotel. Um foco de luz branca se ascende no canto esquerdo do palco, Wisnik, em pé, lê um jornal.
WISNIK: “Diz uma secreta e talvez duvidosa lenda familiar que meu avô embarcou com a família para a América, no mar Báltico, pensando aportar em Nova York, mas foi desembarcado em Paranaguá. Todos os dias agradeço esse erro, que veio para salvar. Meu pai era um imigrante polonês de família camponesa católica, dessas que formaram as levas de colonos polacos paranaenses, conduzidos primeiro para a zona rural, afluindo depois para Curitiba. Minha mãe, uma brasileira mestiça típica, no caso mineira, que ele encontrou mais tarde no litoral de São Paulo. Nasci em 27 de outubro de 1947 na cidade de São Vicente...”
Volta a ler o jornal e sai de cena. Cessa o vídeo. Sons de vento. Vídeo com imagens da ilha de São Vicente em preto e branco. Sons de carros, buzinas, conversas, propagandas, fragmentos de músicas, dial de rádio. Os atores atravessam o palco como se estivessem andando em uma calçada movimentada de São Vicente. Entram os músicos carregando seus instrumentos, direcionam-se cada um a um ponto do palco e preparam-se para tocar como se fossem executar uma apresentação na rua. Um homem vestido com terno atravessa lentamente o palco. Todos param. Uma bola de futebol é jogada em sua direção. Sons de torcidas de futebol, apitos e narrativas entrecortadas. Olha para os lados e começa a fazer embaixadas com a bola e sai de cena. Todos voltam a se movimentar. Os músicos vibram as cordas de seus instrumentos, um a um - devem ser percutidas as mais graves, iniciando o segundo movimento quando o som da primeira corda tiver cessado, primeiro pausadamente e depois acelerando – como chuva que começa fraca e depois se torna forte. Um corredor de luz se acende horizontalmente do proscênio para a rotunda. Os músicos param. Sons de sino. Uma menina cola folhas de papel no chão com movimentos rápidos e precisos, ao terminar de traçar uma linha do proscênio para a rotunda sai de cena. Os músicos voltam a tocar. Em vídeo, é projetada a imagem do Equilibrista, com vara e balões -filmado do alto para baixo - sua movimentação sugere que ele está descendo a rotunda – quando a cena chega no limite entre a rotunda e o chão do palco, o Equilibrista (ator) continua o movimento do vídeo da rotunda em direção ao proscênio, pisando nas folhas deixadas pela menina.
EQUILIBRISTA (quando chega ao meio do palco): O silêncio. No princípio era o sonho e fez-se o silêncio audível como o verbo de um pensamento que escapa. Um verbo-silêncio deslizando nas águas desse oceano inacabado que banha as praias brasílicas onde tupinambás, portugueses, espanhóis, franceses, holandeses e africanos vivem e guerream sobre os sambaquis.
CORO: No princípio era o silêncio e do silêncio fez-se o sonho abrupto como um temporal. O som. O sonho-som do silêncio. No princípio era o sonho e do silêncio fez-se o verbo deslizando nas ondas de um oceano inacabado...
O EQUILIBRISTA: A máquina. Ou tudo o que poderíamos pensar e já foi pensado, reiterado, transformado, reciclado, vislumbrado. A máquina que move mundos, tempos, eras, dias, cidades e idéias. A máquina que aciona espelhos e virtualidades em nosso pensamento. Acenos. Acentos. Lembranças.
O Equilibrista repete seus movimentos e falas em um volume cada vez menor e sai de cena. Sons de carro, buzinas, conversas, propagandas. Os músicos param e guardam seus instrumentos, andam pelo palco e saem. Sons de vento. A Menina entra e retira os papéis.
SEGUNDO MOVIMENTO – a origem do samba ou como a música criou o homem através da repetição
Pestana entra no palco. Cumprimenta os retratos dos compositores clássicos Cimarosa, Mozart, Beethoven, Gluck, Bach, Schumann e do escritor Machado de Assis – todos projetados em vídeo. Encaminha-se para o piano. Senta-se, consulta algumas partituras, faz anotações e prepara-se para tocar. Começa com uma composição aos moldes europeus e aos poucos a fragmenta e a transforma em polca e depois samba. Percebendo a mudança contrária a sua vontade, levanta as mãos abruptamente e levanta-se irritado.
SINHAZINHA MOTA: — Ah! O senhor é que é o Pestana? (pausa) Desculpe meu modo, mas... é mesmo o senhor?
PESTANA: Diga, minha senhora.
SINHAZINHA MOTA: É que nos toque agora aquela sua polca Não Bula Comigo, Nhonhô.
Irritado volta ao piano. Para e cumprimenta novamente os retratos. Senta-se, consulta algumas partituras, faz anotações e prepara-se para tocar. Começa com uma composição aos moldes europeus e aos poucos a fragmenta e a transforma em polca e depois samba. Percebendo a mudança contrária a sua vontade, levanta as mãos abruptamente e levanta-se mais irritado.
SINHAZINHA MOTA: — Ah! O senhor é que é o Pestana? (pausa) Desculpe meu modo, mas... é mesmo o senhor?
PESTANA: Diga, minha senhora.
SINHAZINHA MOTA: É que nos toque agora aquela sua polca Não Bula Comigo, Nhonhô.
Irritado volta ao piano. Para e cumprimenta novamente os retratos. Senta-se, consulta algumas partituras, faz anotações e prepara-se para tocar. Começa com uma composição aos moldes europeus e aos poucos a fragmenta e a transforma em polca e depois samba. Percebendo a mudança contrária a sua vontade, levanta as mãos abruptamente e levanta-se mais irritado.
PESTANA (gritando): “As polcas que vão para o inferno fazer dançar o diabo.”
Anda em círculos e para. Tira a casaca e o chapéu, fecha o piano e sai de cena. Sons de vento. Folhas secas jogadas no chão. Projeção de vídeo da fachada de um velho hotel. Um foco de luz branca se ascende no canto esquerdo do palco, Wisnik, em pé, lê um jornal.
WISNIK: “Diz uma secreta e talvez duvidosa lenda familiar que meu avô embarcou com a família para a América, no mar Báltico, pensando aportar em Nova York, mas foi desembarcado em Paranaguá. Todos os dias agradeço esse erro, que veio para salvar. Nasci em 27 de outubro de 1947 na cidade de São Vicente. Meu pai era um imigrante polonês de família camponesa católica, dessas que formaram as levas de colonos polacos paranaenses, conduzidos primeiro para a zona rural, afluindo depois para Curitiba. Minha mãe, uma brasileira mestiça típica, no caso mineira, que ele encontrou mais tarde no litoral de São Paulo. Exatamente a mesma composição étnica de Paulo Leminski. Curitiba se notabiliza historicamente por ser um ponto de passagem de tropeiros localizado exatamente no meio do nada, num lapso geográfico sem maiores arraigamentos culturais. Um ponto de parada no meio do caminho, e sem a pedra. Os imigrantes italianos, alemães e poloneses que vieram marcar em regime de colonato a substituição do regime de escravidão (abandonados os ex-escravos à sua própria sorte, sem projeto de inclusão) formaram por sua vez, no Paraná, grupos autorreferidos e refratários entre si, sendo os polacos os últimos da escala do sociograma de rejeições recíprocas. Esse modo de formação é o contrário do estilo fusional brasileiro, baseado na ambivalência das violências e das misturas, das mesclas culturais. Talvez por isso, se não for muito delírio, o “leite quente” das sílabas custe a se misturar na música das palavras, em contraste com o amolengamento à la Gilberto Freyre da linguagem afro-brasileira (sons de batucada ao fundo). Dando um curso sobre canção brasileira, certa vez, constatamos, eu e o grupo de alunos, que enquanto no Rio assistimos à transformação da polca em samba, em Curitiba pode-se constatar a improvável mutação do samba em polca. Esse animado e responsável grupo de percussão que passa exatamente agora pelo calçadão em frente ao hotel não me deixa mentir.”
Entra o grupo de percussão vestido com fantasias e máscaras de carnaval. Música “Mundosamba”
Makunaimas sensações de parto / Lispectorianos passos de dança, De Marios, Oswalds / Wisnikianas visões antropofágicas Tupiniquins questões existenciais / Samba / Será do morro o samba? Samba / Bossa / Polca / Punk / Rap / Choro / Baião / Maxixe / Forró Pop / Be boop / Capoeira / Terreiro / Maracatu / Samba, sambá, sambou Sambo eu, samba você / Samba minha cabeça de dragão chinês
Samba a bossa nova / Samba o rock / Samba o jazz / Samba o tango Samba o samba / Sambo eu, samba você / Samba minha cabeça de dragão chinês Samba o presidente / Samba o povo / Samba o nobre / Samba o pobre / Samba a solidão Sambam os amantes / Sambo eu, samba você / Samba minha cabeça de dragão chinês O samba não é do morro. O samba não é chinês. O samba é tupimambá.
Todos saem de cena com o término da música.
TERCEIRO MOVIMENTO – entre arlequins e canibais ou como os tupinambás descobriram o futebol antes dos ingleses.
Mario de Andrade entra no palco andando de bicicleta em círculos.
MARIO DE ANDRADE (como se estivesse vendendo jornais): “Há uma gota de sangue em cada poema”. Um imenso Abaporú que em cada verso regurgita mundos e reconstrói universos, protoplasmas de indiscutível subjetividade atômica. A máquina! A máquina macia que devora sonhos. Cuidado: as realidades são muitas e os sonhos são poucos. Extra! Extra! São Paulo invadida!
Anda em círculos cada vez menores até que para no centro do palco.
MARIO DE ANDRADE: Atônitos, um milhão de abaporus correram soltos pelos guetos e pontes sujas de São Paulo. Queimaram tudo, arrasaram a cidade e semearam o caos; mendigos, banqueiros, velhos e crianças, nada escapou a sua fome. Destruíram museus, teatros, fábricas, hospitais, igrejas. Implodiram prédios. Sua glória foi vã e seu motivo inexistente. Persistiram e se multiplicaram.
Sai de cena. Som de tambores, flautas indígenas, pássaros. Uma luz se acende sobre Cunhambebe que, sentado de costas para a platéia, sorve sangue de uma tigela.
CUNHAMBEBE: O carnaval é feito de versos livres, bandeiras, villas, andrades, vaias, miados, latidos, grunhidos, relinchos. Porque se há uma gota de sangue em cada poema, há uma pedra no meio do caminho de cada poema. Na verdade, no meio do caminho há uma pedra de Ipeirog com um certo Hans Staden engordando na sombra do pau-brasil enquanto espera para ser devorado e sonha com Anchieta levitando entre os tupinambás no Teatro Municipal de São Paulo em plena Semana de 22. Um nhê-nhê-nhêm contínuo pelas beiradas do tempo, mingau de átomos . A-karu ybaka (eu como o céu).
Mario de Andrade cruza o palco de bicicleta em disparada.
MARIO DE ANDRADE: São eles! Fujam! Fujam!
CUNHAMBEBE: “Já sempre já. Já sempre mais. Já nunca jamais”.
A tribo entra correndo, forma um círculo em volta de Cunhambebe e responde em coro, iniciando uma dança de celebração. Ao término, um banquete de corpos humanos é repartido entre os tupinambás. Acende-se um foco de luz sobre Wisnik amarrado. Depois de alguns momentos, uma cabeça rola pelo chão e cai aos pés de Wisnik que tenta fazer embaixadas. Quando começa a falar, aos poucos os tupinambás param e começam a ouvi-lo.
WISNIK: Amigos, amigos. Sei que a fome é muita e o tempo exíguo. Mas não podemos deixar de conversar um pouco enquanto tão suculenta homenagem é repartida. Sei que ficaram impressionados e eu bem poderia tocar fogo nos rios se quisesse. Mas o futebol é minha arte, companheiro constante de meus pensamentos, dúvidas, reflexões. Ouçam, “segundo Pasolini o futebol se joga em prosa e em poesia. Os europeus jogam em prosa. Digamos, os alemães e os ingleses jogam em prosa realista, os italianos jogavam em prosa estetizante. E os sul-americanos, especialmente os brasileiros, jogariam em poesia. E ele descreve semiologicamente isso. É um texto muito interessante, que coloca a questão do futebol brasileiro como um futebol de poesia. Há uma outra variante disso, que recrudesceu na década de 70, que é a do futebol força: ocupação de espaços, vigor físico para matar a pretensão de jogadas criativas. A Copa de 70 consagrou aos olhos do mundo um futebol poesia, e o desenrolar da década de 70 trouxe uma dúvida sobre isso, porque levantou o futebol força. O futebol em prosa ganhou uma espécie de dominância aparente que fazia, no Brasil, acreditar-se que a arte era uma coisa do passado. Isso está ligado às eternas oscilações entre reconhecimento e negação do ser brasileiro. Então justamente das Copas de 1974 a 1994, são 20 anos em que a pergunta é “entre a poesia e a prosa, qual é a superior”, que é a pergunta do Caetano Veloso na música Língua”.
TIBIRIÇÁ: "O futebol é o teatro do mundo" - Horst Bredekamp.
BARTIRA: "Futebol significa liberdade" – Bob Marley.
PIQUEROBI: "Em que o futebol se parece com Deus?", questionou o escritor uruguaio Eduardo Galeano.
Blecaute em resistência enquanto saem os tupinambás levando Wisnik e discutindo sobre futebol. Acende-se um corredor de luz horizontal. Sons de carros, buzinas, conversas e propagandas comerciais. Um homem vestido com terno atravessa lentamente o palco. Uma bola de futebol é jogada em sua direção. Sons de torcidas de futebol, apitos e narrativas entrecortadas. Olha para os lados e começa a fazer embaixadas com a bola.
QUARTO MOVIMENTO – o parto dos abaporus ou como makunaima pressentiu a o vôo do ultrapássaro na madrugada das pérolas.
Os abaporus entram em cena. Bailarinos improvisam sobre o tema. O parto dos abaporus – onde nasce Makunaima. Ao piano a música “O ultrapássaro da primavera”
A primavera é quando ninguém mais espera / É quando jogo / Pérolas aos poucos Aos mares / À lama de onde vem / Maré cheia / Eu jogo ao fogo a loucura De tanto ser demais, / de tanto ser além de céus azuis ultrapássaros, pérolas e praias / A primavera é o pesar do mundo Um fio de loucura / Fagulha / Eu jogo pérolas ao sol
Dia 17 de março as 17 hs, acontecerá a apresentação da "Companhia Instável de Repertório - CITY", um coletivo de artistas e intelectuais para pesquisa, experimentação e criação dramaturgica estreitando laços entre a tradição teatral de Santos e a força cultural de São Paulo.
Na ocasião haverá leitura de manifesto por Flávio Viegas Amoreira, debate entre o maestro Gilberto Mendes e a jornalista Marcia Costa sobre os rumos e a trajetória do teatro brasileiro a partir de Santos e do Litoral Paulista e apresentação do grupo experimental "Percutindo Mundos". Estarão presentes os artistas: Marcelo Ariel, Márcio Barreto, Alessandro Atanes, Fabricio Lopes entre outros.
COMPANHIA INSTÁVEL DE REPERTÓRIO - CITY Salão Verde - Pinacoteca Benedito Calixto Av. Bartolomeu de Gusmã, 15 - Santos /SP 17/03 - Sábado - as 17 hs
A apresentação refaz a trajetória do samba desde a umbigada, o jongo, o samba de roda, passando pelas músicas inesquecíveis de Donga, Ataulfo Alves, Cartola, Candeia, Zé Ketti. Além dos autores consagrados o grupo apresenta suas composições inspiradas no que denomina de samba calunga. Marcado pela percussão e experimentação o samba aparece com nova roupagem, interpretação teatral e dança levando ao público a beleza do ritmo que nos torna mais brasileiros.
Repertório
Viola, meu bem - Edith do Prato (domínio público) Eu já amei bastante - batuque de umbigada (domínio público) Pelo Telefone - Donga Sinhá Dona de Casa - Candeia Na Cadência do Samba - Ataulfo Alves Alvorada - Cartola Volta por Cima - Noite Ilustrada Nega Dina - Zé Ketti Diz que fui por aí - Zé Ketti Samba da coca-cola - Percutindo Mundos Dalai Lama ou a volta que o mundo dá - Percutindo Mundos Mundo Samba - Percutindo Mundos
As paisagens litorâneas de Evandro Angerami são o resultado de um caminhar por texturas, planos e gestos pictóricos. A expressão do seu fazer está na maneira como consegue transmitir a sua visão de mundo para o universo da pintura. Existe uma manifestação interior marcada pela forma lírica de observar o exterior. Ocorre a transmissão de uma intensidade espiritual que se dá no ato de erguer uma dimensão plástica em cada quadro. Isso significa trabalhar com os materiais de modo a obter resultados visuais caracterizados pela convicção de um trabalho progressivamente maduro.
Mestre em Artes Visuais. New York Studio School of Painting, Drawing and Sculpture. (NYSS), de Nova York, EUA, e licenciado em Artes Visuais pelo Centro Universitário de Belas Artes de São Paulo, Angerami, ao freqüentar os ateliês de Aldemir Martins e Rubens Matuck desenvolveu a técnica e o olhar. Dessa combinação surgem trabalhos pintados in loco, iniciados ao vivo e terminados no ateliê ou totalmente produzidos entre quatro paredes.
(Oscar D’ Ambrosio)
Abertura 08/03 as 19:30 com apresentação do grupo Percutindo Mundos (21:00) Aberto ao público de 09/03 a 01/04/12 Pinacoteca Benedito Calixto Av. Bartolomeu de Gusmão, 15 - Santos SP
" Pequena Cartografia da Poesia Brasileira Contemporânea (São Vicente: Edições Caiçaras, 2011) é uma antologia organizada por Marcelo Ariel que reúne sete autores jovens, que vêm publicando seus poemas em blogues, sites e revistas eletrônicas comoGermina, Pausa e Zunái. A internet é o veículo mais atualizado e pluralista para a divulgação da poesia, e nela encontramos as vozes criativas e inquietantes de nossa produção literária, que chegam aos leitores sem a mediação dos cadernos culturais da imprensa diária, cujos critérios de escolha são influenciados pelolobby das grandes editoras e pelas tendências hegemônicas na política literária. Não encontramos hoje veículos como o Jornal do Brasil dos anos 50, que contava com críticos como Mário Faustino, ou o Folhetim dos anos 80, que publicava resenhas de Paulo Leminski. Quem estiver em busca de informação estética nova ou de reflexão crítica atualizada perderá o seu tempo folheando as páginas da Folha de S. Paulo ou da revista VEJA, mas encontrará diferentes vozes, estilos, temas e mitologias criativas no ciberespaço.
Na apresentação da Pequena Cartografia, objeto artístico artesanal com o belo projeto gráfico elaborado por Márcio Barreto, o organizador da antologia diz: “A internet possui muito do artesanal e se harmoniza com práticas de edição como a desta Edições Caiçara, a internet é um esboço dos circuitos telepáticos do cérebro, trata-se da costura de fios visíveis e invisíveis. Nesta seleção que é uma pequena tentativa de realizar um recorte pessoal do que considero o mais representativo da poesia brasileira contemporânea, poemas de Marceli Andresa Becker, Katyuscia Carvalho, Lucila de Jesus, Ângela Castelo Branco, Maiara Gouveia e Daniel Faria formam este pequeno livro, pequena tessitura, que na verdade é a construção de um pensamento sobre a poética dos autores selecionados e sobre a minha própria poética, porque esta fronteira entre nós e os Outros foi a primeira a desaparecer quando alguém disse a palavra ‘Poeta’ pela primeira vez”.
O depoimento do autor, que reproduzimos aqui, merece destaque por desmistificar o suposto “distanciamento” ou “neutralidade” que alguns acreditam ser o princípio regulador de tais escolhas; nenhuma antologia é neutra, nenhuma é definitiva ou imparcial. Toda mostra é parcial, deriva de conceitos estéticos e critérios de gosto pessoal de quem a organizou. Longe de ser um pecado heurístico, peculiar às obras do gênero, a parcialidade é uma confissão de honestidade e de rigor intelectual, que não admite concessões: toda escolha de autores e textos criativos é uma operação crítica, é uma visão curatorial da produção literária de um período, e como tal deve tomar partido, sim, elencando os trabalhos de mais destacada elaboração estética, de acordo com os princípios teóricos, metodologia e grau de subjetividade do curador.
Todas as antologias são incompletas e sujeitas à discussão; por isso mesmo a existência de diferentes recortes críticos de um mesmo período histórico é enriquecedor, não apenas para a batalha de ideias, o confronto de diferentes teorias, mas também para a correção de eventuais exclusões, causadas, não raro, pelo desconhecimento. Não é possível avaliar todos os poetas de uma determinada geração sem um distanciamento temporal, para que o crítico possa consultar o conjunto da obra de cada autor, as revistas literárias publicadas na época, antologias, resenhas e outros textos que forneçam sinais luminosos sobre a produção do período. A empreitada de Marcelo Ariel é altamente arriscada exatamente por isso: ele se dispôs a fazer uma pequena cartografia do que se faz hoje pela mais nova safra de poetas brasileiros, quase todos sem fortuna crítica e inéditos em livro. Esta é uma intervenção cultural perigosa, e ao mesmo tempo excitante e necessária, que apresenta para nós um pequeno número de autores significativos, que trabalham a linguagem poética de modo consistente, rigoroso e inventivo.
Quase todos os poetas incluídos por Marcelo Ariel em sua breve antologia revelam um certo grau de hermetismo, derivado de leituras de Heberto Helder, Paul Celan, Lezama Lima e do Neobarroco: é o caso, por exemplo, de Daniel Faria (“Sangue / de espelho líquido. // Os intermináveis gestos / opacos / da cidade que se joga / sobre os meus braços”) e de Marceli Andresa Becker (“a fome que tenho se come / porque há saída nenhuma / na voz”). Pertencem a esta mesma linha criativa poetas como Andréia Carvalho, Diogo Cardoso, Adriana Zapparoli e Roberta Tostes Daniel, que mereciam estar incluídos neste volume.
O “artesanato furioso” (Marino) de nossa poesia mais recente tem revelado uma força semântica e imaginativa que contrasta com a lírica morna e insossa da linha coloquial-cotidiana, hegemônica nos cadernos culturais, que tem como ícone o livro Elefante, de Francisco Alvim, que recicla o poema-piada e o poema-crônica-de-jornal já exauridos em nosso Modernismo, quase um século atrás. Desafinando o coro dos contentes, a poesia jovem traz de volta as imagens fortes, ambíguas, monstruosas, os ritmos sensoriais, o léxico inusitado e a invenção sintática, levando a poesia para o seu terreno natural, o da encantação e do estranhamento. Quem tiver dúvidas de que a poesia é uma forma de magia, que leia com mais atenção os versos de Marceli Andresa Becker: “inviolado pelo espelho. / (mas se cantar / é cantar contra ouvido e pele, tempo de fibras, / mas se beleza é tu contra carne, / então cantar, cantar, pra te fazer / pedaços)”. Ou ainda, de novo, Daniel Faria: “só se for na beira da praia, lá dentro / a pura monotonia, os dentes da maresia, / que absolutamente não canta, saltam do verde e liso mar / e ferem seus olhos, lambem seus dentes, apodrecem sua boca”.
Em outros poetas incluídos na Pequena Cartografia, como a carioca Camila Vardarac, encontramos o poema em prosa de imagens rápidas, alucinadas, o discurso em jorro contínuo, que de imediato nos remetem à poesia beat e ao surrealismo; porém, há algo mais na escrita da autora, que sugere um diálogo com a estrutura comunicativa dos novos meios eletrônicos, como se palavras e frases fossem os cenários de um videoclip: “cotovelos sobre cacos de vidro retêm as palavras enquanto o / sangue foge, desenho as letras do seu nome dentro do coração / transformado em origami de caveira”. Imagens rápidas e fortes de um brutalismo que se aproxima ainda das artes visuais (lembremos aqui de Francis Bacon e do traço sombrio de quadrinhistas como Bill Sienkiewicz). Uma poeta que dialoga com o simbolismo, o surrealismo, a lírica portuguesa e os seus próprios gritos interiores é Katyuscia Carvalho, capaz de criar metáforas intensas e raras como estas: “Aprofundar interiores / Inconter silêncios / Apalpar um grito que / não terminou / amputado por alguma canção / que soou mais profunda” ou ainda “Um dia encontrarão / os fósseis rupestres / de uma saliva já extinta / virão tradutores / e ólogos e istas / capitalizarão: / (beijos cravados na rocha)”.
Ângela Castelo Branco, poeta e artista plástica, resistiu à tentação de simular paisagens na escrita, fazendo a sábia escolha de pintar o pensamento com todas as flores da fala. A sua poética é a da música do pensamento, mais irônica do que metafísica, mais fragmentária do que sistêmica, e nela recolhemos versos de alto impacto como estes: “Feito: costura de retalhos. Chão sujo de fiapos, retirar o que / não é composição. (...) / Qual o instrumento, qual o instrumento que acontece uma mulher?”
A construção minimalista, voltada ao retrato fragmentário de paisagens, objetos e sensações, mas evitando reverberações estilísticas derivadas de uma leitura ingênua da Language Poetry, está representada na poesia de Maiara Gouveia e Lucila de Jesus, poetas que elaboram artesanatos de alta densidade semântica. Em Lucila, há uma presença maior do humor, da ironia, do paradoxo e do non sense, como nestas linhas: “Os velhos e / as formigas / são invisíveis”; “O amor ansiado / é negro / branco / e amarelo”; “Tudo o que sei / sei sem saber. / Não aprendi, / só encontrei. / É que nasci / com os tendões / hiperextendidos”. Maiara, por sua vez, é mais elíptica, lacônica, não recusa os desafios da sintaxe e nos apresenta insólitas construções verbais, como esta: “escamas de peixe / medeias em fuga / cabelos vivos / no côncavo dos séculos // (a música) / de águas-medusa / guelras / ou ábaco líquido / (a mística do cálculo) / em ondas, em orlas / linhas tortas inúteis // onde o livro-transparência / arde / até os rins”.
A breve seleção de poemas organizada por Marcelo Ariel é sedutora, instigante e nos faz pensar sobre os augúrios das sibilas do apocalipse, para quem a poesia brasileira contemporânea está sempre “em crise” – estratégia de legitimação do cânone estabelecido pela negação insípida da poesia mais recente. A Escola do Ressentimento, que tanto mal faz à nossa crítica literária, é desmentida por obras inteligentes e corajosas como a de Marcelo Ariel, que nos brinda com uma feliz reunião de poetas e poemas." -
Claudio Daniel, poeta, tradutor e ensaísta, nasceu em São Paulo (SP), em 1962. Publicou os livros de poesia Sutra (edição do autor, 1992), Yumê (Ciência do Acidente, 1999), A sombra do leopardo (Azougue Editorial, 2001, prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, oferecido pela revista CULT) e Figuras Metálicas (Perspectiva, coleção Signos, 2005). Em 2004, lançou o Romanceiro de Dona Virgo, volume de contos (Lamparina Editora). O autor publicou também a antologia Na Virada do Século, Poesia de Invenção no Brasil (Landy, 2002), organizada em parceria com Frederico Barbosa. Como tradutor, publicou a antologia Jardim de Camaleões, A Poesia Neobarroca na América Latina (Iluminuras, 2005), além de volumes com traduções de José Kozer, Eduardo Milán, León Felix Batista, Reynaldo Jiménez e Víctor Sosa. Em 2004, foi um dos curadores do evento Encontros de Interrogação, promovido pelo Instituto Itaú Cultural, e em 2006 organizou a Galáxia Barroca, Encontro de Poetas Latino-Americanos. No exterior, participou das antologias New Brazilian & American Poetry (revista Rattapallax n. 9, New York, 2003), organizada por Flávia Rocha e Edwin Torres, Pindorama, 30 Poetas de Brasil (revista Tsé Tsé n. 7/8, Buenos Aires, 2001), com seleção e tradução de Reynaldo Jiménez, e Cetrería, Once Poetas Brasileños (Casa de Letras, Havana, 2003), organizada e traduzida por Ricardo Alberto Pérez. Claudio Daniel reside em São Paulo, onde atua na área editorial e jornalística. É editor da revista eletrônica de poesia e debates Zunái, junto com Rodrigo de Souza Leão. Seu blog na Internet é http://cantarapeledelontra.zip.net
Selecionado para o Projeto Cultura Livre SP, "Homo Ludens - fluxos, lugares e imprevisibilidades" cumprirá uma agenda de apresentações em vários parques de São Paulo. A primeira apresentação acontecerá em 12/02 as 13 hs no Parque da Juventude - Santana - SP.
Em sua pesquisa o jogo da improvisação na dança e na música é o ponto de partida para a criação de intervenções urbanas. Os gestos instigam um novo olhar sobre a paisagem, os movimentos dos intérpretes no ambiente quebram a rotina e conduzem a uma reflexão sobre a transformação do espaço.
O Núcleo de Pesquisa do Movimento – Imaginário Coletivo de Arte tem como objetivo fortalecer e propagar a “arte contemporânea caiçara”, de modo a valorizar as raízes culturais provenientes do litoral paulista e, ao mesmo tempo, inseri-las na contemporaneidade.
Realização: Núcleo de Pesquisa do Movimento - Imaginário Coletivo de Arte Concepção e direção: Célia Faustino, Edvan Monteiro, Márcio Barreto Intérpretes-criadores: Célia Faustino, Edvan Monteiro, Flávia Sá, Jean Ferreira, Márcio Barreto Criação sonora: Percutindo Mundos Músicos: Márcio Barreto,Tarso Ramos, Alessandro Atanes Figurino: Núcleo de Pesquisa do Movimento - Imaginário Coletivo de Arte Fotografia: Christina Amorim Duração: 20 minutos
Sobre o Cultura Livre SP
O Cultura Livre SP é uma iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente. Até o final do verão, em março de 2012, o projeto promoverá programação cultural gratuita em sete parques e espaços públicos da cidade, sempre aos finais de semana. As atividades acontecem na Praça da Esperança do Hospital das Clínicas (região central); Parque da Juventude e Horto Florestal (zona norte); Parque Villa Lobos (oeste); Parque Ecológico do Guarapiranga e Zoológico (sul); e Parque Ecológico do Tietê (leste).
Todas as informações sobre o projeto Cultura Livre SP estão disponíveis no site www.culturalivre.sp.gov.br. Lá, é possível cadastrar o e-mail para receber informações semanais sobre a programação e conferir fotos e resumos de cada atividade.
O I Encontro Paulista de Pesquisadores da Cultura, promovido pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, acontece dias 9 e 10 de fevereiro, sendo aberto ao público e gratuito. O evento é um esforço da Escola para mapear e organizar os eixos e temas de pesquisa que estão em desenvolvimento na área de cultura.
Selecionados para o encontro o "Imaginário Coletivo de Arte" e o "Instituto Ocanoa" falarão sobre suas pesquisas sobre Identidade Cultural e Arte Contemporânea Caiçara, analisando seus conceitos em Música, Dança e Teatro. Márcio Barreto, fundador do Coletivo e do Instituto Ocanoa, pesquisa a Cultura Caiçara desde 2007 e já proferiu palestras sobre o tema na UNESP (campus São Vicente), UNIFESP (campus Santos)e na Casa da Cultura de Paraty (Rio de Janeiro), além de divulgar o tema no SESC Santos, SESC Bertioga, Oficinas Pagu e em escolas públicas do litoral paulista. Adriane Almeida Pintos falará sobre as experiências com arte e educação no projeto "Arte e Meio Ambiente" desenvolvido na Escola Municipal Lucio Rodrigues junto com Márcio Barreto.
Confira abaixo as Mesas onde os dois apresentarão seus trabalhos no dia 09/02:
MESA 07: IDENTIDADES
10:15 às 12:00
Nádia Socorro Fialho Nascimento Universidade Federal do Pará – UFPA Trabalho e cultura na Amazônia: elementos para uma discussão
Alberto Luiz dos Santos Instituto de Geociências – IG – UNICAMP Territorialidade e Identidade Cultural: Um estudo sobre o a Aldeia Kopenoti – Território Indígena Araribá – Avaí / SP
Márcio Barreto Instituto Ocanoa / Imaginário Coletivo de Arte / Núcleo de Pesquisa do Movimento / Edições Caiçaras A arte contemporânea caiçara
Marina Rossetti Barretto Ribeiro Ponto de Cultura Casa da Sesmaria Sesmaria da Zabelônia: Desmembramentos e Ocupação
MESA 09: MEDIAÇÃO, ARTE E EDUCAÇÃO
10:15 às 12:00
Marcia Cristina Polacchini de Oliveira Universidade Presbiteriana Mackenzie Arte em cena: uma proposta de teatro – educação na escola pública
Mariza Pinto Grupo Ecológico e Cultural Tio Pac Gec – Escola: uma experiência audiovisual em escola pública
Emerson Izidoro dos Santos Estação Ciência – USP / Programa Interunidades em Ensino de Ciências – USP A ciência (e seu aprendizado) dentro e fora da escola: Uma visão sociocultural da divulgação e do ensino de ciências.
Adriane Almeida Pintos Prefeitura de São Vicente A percepção da aprendizagem em ciências através da arte
Sérgio de Azevedo Fundação das Artes de São Caetano do Sul – FASCS [Arte(Gestão)Educação]
Segundo Pablo Ortellado,organizador do encontro, "como a cultura é uma área interdisciplinar, produz-se muito material sobreposto ou complementar. A título de exemplo, se os pesquisadores não se conhecem, pode acontecer de dois deles estarem pesquisando o mesmo tema. Mas porque não se conhecem, não trocam experiências, o que faria as pesquisas de ambos avançarem mais rápido. Justamente por isso, preferimos não definir o que é cultura e chamar os pesquisadores para apresentarem o que estão fazendo. Nosso objetivo é fazer uma primeira prospecção da pesquisa na área”.
Percutindo Mundos - Música Contemporânea Caiçara...
Experimentando melodias percussivas, procurando o minimalismo exato da expressão, o tribalismo pulsante de velhos tambores, calimbas e paus de chuva, mudamos o mundo num movimento de sonho, rápido como o pensamento, pois enquanto o universo se expande e o mundo se comprime em escalas dissonantes, brindamos ao simples e ao inefável...
Companhia Instável de Repertório - CITY
-
Dia 17 de março as 17 hs, acontecerá a apresentação da "Companhia Instável de Repertório - CITY", um coletivo de artistas e intelectuais para pesquisa, exper...
QUINTA POÉTICA – 45a edição 29 de março de 2012
-
QUINTA POÉTICA – 45a edição
29 de março de 2012
com início às 19h
na Casa das Rosas (evento gratuito)
com os poetas convidados
Beth Brait Alvim, Co...
Firecracker Recordings e seu projeto com Serigrafia
-
Vídeo bem legal mostrando o processo de impressão em Serigrafia de mais de
mil capas de discos de vinil da Firecracker Recordings, label escocesa
especiali...
Quando as palavras não dão mais conta
-
O diretor alemão Wim Wenders chamou o diretor de arte Péter Pabst e os
diretores de fotografia Hélène Louvart e Jorg Widmer para um tributo. Um
tributo...
Engenheiros do Hawai - Dom Quixote
-
*Dom Quixote*
Engenheiros do Hawaii
Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
Peixe fora d'água, borboletas no aquário
...
-
Dias 15 e 16 de março o Grupo Rosa dos Ventos estará em Santos com
espetáculo Saltimbembe Mambembancos e um Bate Papo com os artistas da
cidade sobre pol...
Programa Acervo Origens - Especial Dia das Mulheres
-
Olá amigos
Já está no ar o Programa Acervo Origens Especial Dia das Mulheres
Programa Acervo Origens da semana
1) Jurupanã (Oswaldo de Souza), com Ely C...
3 TRADIÇÕES MUSICAIS E 1 REMIX EM MARÇO - SP!!!
-
No SESC Ipiranga nos dia 04, 11, 18 e 25 de março estarei realizando o
projeto 3 tradições musicais e 1 remix sobre as tradições dos emboladores
(dia 04...
Posse
-
*Meu filho vai se chegando*
*na MINHA BIBLIOTECA *
*:*
*- Paulo Freire, Toscani, Steinbeck,*
*Passa os olhos por ela e escolhe alguns.*
*Passa os olhos po...
CHAMA MARÉ NO VERÃO PARATY 2012
-
Curta o vídeo postado por uma espectadora: grande Ana, na apresentação do
Chama no Festival de Verão em Paraty, com a participação do Bruno Penna
Firme, Sa...
Organismo na 3ª Mostra Competitiva de Circo do RJ
-
É hoje. 3ª Mostra Competitiva de Circo do Rio de Janeiro. Circo + Poesia +
Forró. No Crescer e Viver na Praça Onze. ORGANISMO_diálogos poéticos com
interve...
Carnaval em Paraty a invasão é geral!
-
*Tá chegando o Carnaval 2012 e começa as movimentação dos blocos, que vão
fazer a alegria do povão.*
*Um exemplo são os Tradicionais Bonecos de Paraty. Aqu...
quando nada é o mesmo que tudo
-
Ninguém poderia ter em prática o quanto de peso ele carregava sobre a
cabeça. Fazer um humano saber o que lhe passava nas instâncias internas
seria sobre...
JANEIRO NAVEGANDO EM ÁGUAS CLARAS E RIO ABAIXO...
-
... em direção a coisas muito boas. Então vem conosco:
Dia 14 de janeiro, no Teatro do SESC São Carlos, às 16h, "Mistérios do Rio"
(veja nas postagens ante...
Vo Terapia - Próximo encontro
-
Neste sábado, às 16 horas, faremos a última vivência do ano e, como sempre,
todos estão convidados a experienciar a música, mesmo sem saber tocar um
único ...
-
2º Farofa Literária
Local: Parque Central de Santo André – Rua José Bonifácio S/N, Vila
Assunção, Santo André.
Dia: 11 de dezembro, domingo, das 15h às 18h
...
Reflexo da margem
-
Tem um lado da margem
Que não vem, nem passa
Do lado da margem há só miragem
Atravessa rítmica e frouxa
Enquanto rola em deleite de estar
De ser a margem...
O Sarau Poético Pegando o Gancho
-
**
“O Coletivo Cultural Pegando o Gancho é colo desentimentos nobres. Nele,
deitam-se amantes alforriados, ou não, de lágrimasdesequilibradas... ou
não! ...
INVERNOU !!!!
-
No fim de semana passado rolou na literalmente na divisa dos Estados de
Minas Gerais e São Paulo o encerramento o III Festival de Inverno do Parque
Náutic...
Dança no Espaço com Célia Faustino
-
Através da consciência corporal, desenvolvemos técnicas específicas de
dança, com o objetivo de auto-conhecimento somado ao prazer da criação.
Não é neces...
Atro Coração por Christy-Ane Amici
-
Christy-Ane Amici - foto: Biga Appes
Texto: Christy-Ane Amici
O que posso dizer de Atro Coração? E de suas personagens?
Vou começar falando sobre mim e m...
Ainda bem que é proibido jogar lixo...
-
O colchão faz o alerta "Proibido jogar Lixo"
Imaginem se não fosse proibido então....
Foto tirada hoje de manhã na Carlos Gomes esquina com Visconde de...
Caminho
-
O desafio é a graça do despertar,
Encarar a cama como um carma nos torna seres mais sedentos por caminhos,
Se perder faz parte...
O conflito é engrandece...
Meu Coração - Remix por Deeplick
-
* Arnaldo Antunes - Meu Coração (Deeplick Remix) by antunes_arnaldo *
*
*
*
*
*Arnaldo Antunes invade as rádios com “Meu Coração” em versão remix*
Ela já t...
Unisanta debate o desejo além das entrelinhas
-
**
O Cineclube Lanterna Mágica e o Sistema Integrado de Bibliotecas, da
Unisanta, realizam a Conexão Cultural “Desejo – Além das Entrelinhas”, dia
22 de se...
capítulo 05/04/10
-
... o mundo gira. Nossos pés descalços tentem alcançá-lo, nosso pensamento
procura entende-lo. O significado de nossas escolhas. O universo por
debaixo da ...
Eventos Culturais
-
Com uma grande variedade eventos, o Parque Cultural Vila de São Vicente
presenteia o público com apresentações artístisticas que valorizam a
h...
-
O NOVO EM FOLHA
O mundo
E a novidade
se ficarmos presos ao passado nos perderemos na névoa
ou se ficarmos presos na areia esperando o vento nos libertar
no...
totem
-
Totem é uma livre adaptação do livro homônimo de Márcio Barreto, um livro
sem fim. Memória poética-visual, documentário imaginário, traça as linhas
entre s...